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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
O Que Fazer com os Judeus?
Trecho de um panfleto escrito por Lutero em 1542 que dizia, em suma, o que devia ser feito com os judeus:
"Incendiar suas sinagogas e escolas, derrubar suas casas, confiscar seus livros de oração, proibir os rabinos de ensinar sob pena de serem mortos, abolir o direito de ir e vir nas estradas, despojá-los de toda prata e ouro e obrigar que trabalhem com o suor de seu rosto (ou seja, não em atividades comerciais) para ganhar o sustento".
Observe como o pensamento da época era totalmente preconceituoso e extremista em relação aos judeus.
Basta acompanhar a história da cristandade -- faço uma distinção entre cristianismo e cristandade: o cristianismo é o original, a cristandade é a cópia -- para ver que esta tentou se arvorar substituta de Israel no mundo, beneficiária, portanto, de todas as promessas do Antigo Testamento, que incluíam poder político e religioso no mundo, abundância de riquezas e saúde perfeita. Sob esta ótica, já no princípio da história da cristandade quem se declarasse judeu só podia ser um usurpador, já que Deus supostamente prometera o domínio do mundo ao Seu povo, interpretado pela cristandade como sendo a "Igreja", que alguns até hoje acreditam ser a substituta de Israel no mundo.
O próprio Martinho Lutero era influenciado por essas idéias e é preciso compreender que este era o pensamento comum e oficial em sua época, tanto no meio político como cultural e religioso.
Basta acompanhar a história da cristandade -- faço uma distinção entre cristianismo e cristandade: o cristianismo é o original, a cristandade é a cópia -- para ver que esta tentou se arvorar substituta de Israel no mundo, beneficiária, portanto, de todas as promessas do Antigo Testamento, que incluíam poder político e religioso no mundo, abundância de riquezas e saúde perfeita. Sob esta ótica, já no princípio da história da cristandade quem se declarasse judeu só podia ser um usurpador, já que Deus supostamente prometera o domínio do mundo ao Seu povo, interpretado pela cristandade como sendo a "Igreja", que alguns até hoje acreditam ser a substituta de Israel no mundo.
O próprio Martinho Lutero era influenciado por essas idéias e é preciso compreender que este era o pensamento comum e oficial em sua época, tanto no meio político como cultural e religioso.
A moderna Teologia do Domínio prega a cristianização do mundo como prerrogativa para Cristo voltar e reinar. Em alguns círculos políticos dos EUA, os fins justificam os meios, portanto não existiria nada de errado em se envolver em guerras se isto for para expandir o domínio da fé cristã, um discurso que não difere muito dos radicais islâmicos em seu empenho por eliminar os infiéis.
Gary North é um dos que estão embarcados nessas idéias, bem como boa parte dos políticos norte-americanos ditos cristãos que querem fazer a sociedade de amoldar na marra aos princípios do cristianismo. É evidente que a influência cristã foi benéfica em muitos aspectos em nossa sociedade, mas tornar isso compulsório é misturar as coisas. No Brasil já temos alguma influência desse tipo de pensamento, como inclusão do nome de Deus nas cédulas, lobby católico ou evangélico e coisas do tipo.
Os mais recentes adeptos da Teologia do Domínio, embora a maioria nem saiba o que está fazendo, são os neocristãos adeptos da teologia da prosperidade. A adoção de trechos isolados do Antigo Testamento, originalmente dirigidos aos israelitas na Terra Prometida, leva muitos a acreditarem que ser rico e próspero faz parte das promessas de Deus para os cristãos. Obviamente basta ligar a TV para ver a quantas andam essas crenças. Mas quem "ligar" a Bíblia verá trechos que descrevem a vida simples de Cristo e dos discípulos, como Paulo que dizia "aprendi a contentar-me com o que tenho" (Fp 4:11).
A idéia de que Deus ordena aos cristãos que acumulem riquezas é a mesma que justificou a glória secular do romanismo com sua sede por poder secular, riquezas e posse material nos últimos 2 mil anos. Se o Templo de Salomão era todo revestido de ouro, as catedrais cristãs deviam ser também. Se as vestes dos sacerdotes deviam ser ricas em ouro e pedras, idem para os dignatários cristãos. Esse foi o raciocínio que predominou.
Se Salomão, Davi, Abraão etc. eram ricos, eu também devo ser. Israelitas? Judeus? Oras, Deus está falando para mim, não para eles -- foi o raciocínio que perdurou na cristandade por séculos e é o raciocínio que está sendo veladamente resgatado hoje nos cultos ditos "evangélicos" de prosperidade, justamente em um momento em que o catolicismo romano tinha se maquiado de despojado numa opção intelectualizada pelos pobres e pela pobreza.
David Chilton, um dos propagadores da Teologia do Domínio: "Não sou eu quem está trazendo uma porção de novas idéias. Sabem o que eu fiz? Voltei para os pais da Igreja e li Santo Atanásio. Li Santo Agostinho e vi o que ele tinha a dizer sobre a marca da besta". Em seus escritos é possível encontrar pérolas como "O Israel étnico foi excomungado por sua apostasia e jamais voltará a ser o Reino de Deus." "O objetivo cristão para o mundo é o desenvolvimento universal de repúblicas bíblicas teocratas".
O livro "The Road to Holocaust" (Hal Lindsay) mostra como, ao longo da história, cristãos justificaram a perseguição dos judeus usando uma interpretação equivocada da Bíblia. O livro explica também essa "Teologia do Domínio", muito em voga hoje.
Na minha opinião, o anti-semitismo irá recrudescer e amparado por essas idéias de domínio cristão que prevaleceram por séculos de domínio do papado, só que agora por neo-evangélicos num vale-tudo pela prosperidade e pelo domínio do mundo, de seu dinheiro, de seus negócios, de seus territórios etc.
Mas qual seria o verdadeiro entendimento sobre o povo de Deus, segundo a bíblia? Ora,para entender em poucas palavras, a Bíblia fala de dois povos: Israel e Igreja. O primeiro, escolhido por Deus no Antigo Testamento (não por seus atributos mas, muito pelo contrário, pela graça e soberania de Deus), recebeu promessas para sua época e para o futuro. É disso que fala boa parte do Antigo Testamento e profetas. As promessas eram sempre terrenas, de fartura, domínio dos povos e coisas assim.
Já o segundo povo (Igreja = conjunto dos que crêem em Cristo) não recebeu qualquer promessa terrena, mas todas celestiais, e foi formado tanto por judeus como por gentios, ambos convertidos a Cristo (judeus normalmente é o termo para o que restou de Israel por ocasião do Novo Testamento e hoje, principalmente descendentes das tribos de Judá e Benjamim). Esse povo (Igreja) jamais recebeu promessas de fartura, domínio ou lugar de destaque aqui. Suas esperanças sempre foram celestiais.
postado originalmente em :http://www.forumevangelho.com.br/testemunhos-estudos-e-mensagens-de-outras-autorias-f9/teologia-do-dominio-por-mario-persona-t168.htm
"The Road to Holocaust" explica o que aconteceu com a fé cristã reformada, principalmente nos EUA, até seu estado atual: "À medida que começaram a enriquecer, começando pelos próprios pastores e pregadores, houve necessidade de se adaptar a doutrina para explicar que toda aquela riqueza era a prosperidade prometida no Antigo Testamento. Dai até dizer que os cristãos devem arrumar o mundo para esperar a vinda de Cristo foi um passo."
Na minha opinião, o anti-semitismo irá recrudescer e amparado por essas idéias de domínio cristão que prevaleceram por séculos de domínio do papado, só que agora por neo-evangélicos num vale-tudo pela prosperidade e pelo domínio do mundo, de seu dinheiro, de seus negócios, de seus territórios etc.
Mas qual seria o verdadeiro entendimento sobre o povo de Deus, segundo a bíblia? Ora,para entender em poucas palavras, a Bíblia fala de dois povos: Israel e Igreja. O primeiro, escolhido por Deus no Antigo Testamento (não por seus atributos mas, muito pelo contrário, pela graça e soberania de Deus), recebeu promessas para sua época e para o futuro. É disso que fala boa parte do Antigo Testamento e profetas. As promessas eram sempre terrenas, de fartura, domínio dos povos e coisas assim.
Já o segundo povo (Igreja = conjunto dos que crêem em Cristo) não recebeu qualquer promessa terrena, mas todas celestiais, e foi formado tanto por judeus como por gentios, ambos convertidos a Cristo (judeus normalmente é o termo para o que restou de Israel por ocasião do Novo Testamento e hoje, principalmente descendentes das tribos de Judá e Benjamim). Esse povo (Igreja) jamais recebeu promessas de fartura, domínio ou lugar de destaque aqui. Suas esperanças sempre foram celestiais.
postado originalmente em :http://www.forumevangelho.com.br/testemunhos-estudos-e-mensagens-de-outras-autorias-f9/teologia-do-dominio-por-mario-persona-t168.htm
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Graça! por Diogo Henrique de Sá
Já tornei pública minha admiração pelo Diogo, dado a maneira límpida e esclarecedora com que trás assuntos difíceis de se entender. Mais uma vez, Diogo Henrique de Sá demonstra ponderação e clareza em seu entendimento teológico. Confiram:
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sábado, 16 de outubro de 2010
Campanha "Abrace um Unicista"!
Por Diogo Henrique de Sá. Colaboração de Rodrigo Toledo
Estou convencido de que unicistas não existem. Cheguei a essa conclusão lendo a bíblia e observando o comportamento humano. E pretendo discorrer sobre esse assunto, mas não pormenorizadamente, pois acredito que a doutrina da trindade mostra-se tão patente e cristalina na mente do leitor cristão quanto o é na própria bíblia.
Mas o que é unicismo? Resposta: doutrina que busca negar a existência de mais de uma pessoa na deidade.
Vamos aos fatos – há tantos textos demonstrando a pluralidade de pessoas na unidade divina, que não é possível que uma pessoa racional consiga realmente acreditar no unicismo modalista. Esses textos são exaustivamente citados aqui com o propósito de refutar o unicismo: Gn1.2,26; 11.7; Gn 18; Sl 110.1; Js 5.13-15; Jz 6.10-24; Is 11.1-3; Is 42.1; Is 53.10-11; Joel 2.28-32;3.17,18; Mt 3.16,17; Mt 28,19; Mc 1.9-12; Lc 3.21-22; Jo 5.43; Jo 8.17,18; Jo 14.20; 2 Co 13.14; etc.
Recuso-me em acreditar na existência de unicistas. O que existem, na verdade, são cristãos carentes, querendo chamar a atenção, “loucos” por um abraço. E como farão para chamar a atenção? Negando uma doutrina abertamente defendida pelo cristianismo.
Foto-Comentário do ReformaAgora:
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Reforma Shopping
Sinopse
A obra fala sobre um relacionamento pessoal de profundo amor com Deus, um amor incondicional, de abnegação, o amor com o qual Deus ama o homem. Neste livro, o autor Brennan Manning busca ensinar os leitores a viver nesse amor e a confiar plenamente em Deus.
Editora Mundo Cristão
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LÍDERES EVANGÉLICOS MAÇONS - Pasmem!
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
SENHOR, LAVA MEUS PÉS - por Rodrigo Toledo e Caio Leandro
sábado, 9 de outubro de 2010
11 KILÔMETROS
O pastor Matt Chandler demonstra o quão ridícula é a falácia da teoria secular em que Cristo teria sobrevivido aos sofrimentos da cruz, e que portanto, não teria ressuscitado.
7 milhas - são 11 kilometros, de Jerusalém a Emaús.
Matt Chandler - 7 Milhas from iPródigo on Vimeo.
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
O PROBLEMA DO JULGAR: ATÉ ONDE IR COM A TOLERÂNCIA?
por Cleber Olympio
"Quem é você para julgar teu próximo? Acaso estás se colocando na posição de Deus?"
Um dos argumentos mais usados em debates apologéticos, em quaisquer fóruns de debates - cristãos e não cristãos - versa sobre a questão do julgamento. Boa parte deles é derivada da famosa passagem bíblica, tratada como se texto de lei fosse: "Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão." (Mateus 7:1-5).
Acontece que, como sabemos, muitos equívocos são cometidos quando alguém tira a passagem bíblica de seu contexto, e termina por deturpar o ensino bíblico sobre a questão do julgamento.
1. Da necessidade de julgar
Afinal, qual a raiz do problema? O ser humano, até como instinto de autoproteção, começa a colocar - ou até a impor - freios numa situação de conflito. É, de fato, desagradável uma sensação de antagonismo, vinda de quem quer que seja.
Se a pessoa consegue se armar, inclusive psicologicamente, é um bom aspecto; difícil é quando a pessoa se sente acuada, sem ter como enfrentar a força contrária. Restam-lhe alternativas possíveis: render-se, atacar ou o escape. Render-se fica sem cogitação; atacar só é possível com as armas certas; daí que lhe vem, até como meio instintivo de sobrevivência, buscar um escape.
Nisso vem a problemática do "não julgar" que, como colocado pelo argumento da tolerância, não possui qualquer validade, senão é uma tentativa errônea e grosseira de se fugir de uma questão.
Esse instinto de sobrevivência, em nome da cordialidade e da tolerância, mascara por vezes uma atitude arrogante de quem não admite a perda, diante de evidências ou argumentos mais fortes.
Escorar-se numa pretensa base bíblica não conduz a nada, mas acaba sendo uma alternativa contra quem levanta o argumento e também não está devidamente protegido contra a "falácia do não julgar". Falácia é um argumento que possui a aparência de verdade e legitimidade, mas que no fundo esconde uma enorme mentira.
A cordialidade e a tolerância, levada a limites fora da normalidade, conduz a um comportamento incoerente e insensato. O crente é levado pelo seu Senhor a provar pensamentos e atitudes, a exercer suas faculdades mentais para promover uma análise de tudo o que se lhe apresenta aos olhos. Não fosse assim, Paulo não teria recomendado aos crentes: "Examinai tudo. Retende o bem" (1 Tessalonicenses 5:21). Em outra passagem, o mesmo Paulo exorta aos coríntios: "Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados" (2 Coríntios 13:5).
Os crentes de Bereia examinavam as Escrituras para conferir se o que os apóstolos ensinavam era, de fato, verdade (Atos 17:11). Jesus mesmo manda que exerçamos nosso discernimento, examinando as Escrituras (João 5:39). Examinar, analisar, pesquisar, procurar, são atitudes do intelecto, que precisa exercer sua capacidade de juízo. Julgar, então, é necessidade de quem caminha com Jesus.
Obedece-se aos mandamentos somente por meio da análise de uma situação real e com o juízo transformado pelo poder da Palavra de Deus, a fim de se produzir uma atitude. Se o crente não pudesse julgar, como viveria a realidade dos mandamentos de Cristo? Seria ele submisso a dogmas, impostos por um deus raivoso e mesquinho, que se preocupa tão somente em exigir comportamentos diversos de uma civilização, já corrompida pelo pecado? Entendemos que não. Deus sempre mostra, por toda a Bíblia, que sua Palavra tem finalidade educativa. Os versículos áureos sobre a importância das Escrituras demonstram plenamente esse fator: "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2 Timóteo 3:16-17).
Vê-se, então, que há coerência na atividade do julgar, inclusive por necessidade de se viver uma vida cristã autêntica, com plena capacidade de discernimento, orientado em obediência às Escrituras. Outro aspecto é a condução necessária do crente na atividade julgadora, uma vez que ele deva examinar todas as coisas e reter o que é bom. Sendo assim, por que pautar-se numa suposta tolerância e expressão de cordialidade para supostamente evitar um confronto?
2. Do julgamento justo
Aparentemente a tolerância ensinada por Jesus deva ser observada em quaisquer circunstâncias. Cita-se também a passagem em que Jesus liberta a mulher adúltera, partindo-se do seguinte encadeamento de ideias: "Jesus condenou quem tivesse pecado e perdoou a adúltera - Ora, Jesus tem o poder de julgar alguém, e sou pecador - Logo, eu não posso julgar ninguém". Esse raciocínio também é falacioso. A inferência à primeira afirmativa não leva em consideração que Jesus usou-se de um julgamento com um importante adjetivo: "justo". Nisso ele exerceu um julgamento coerente, dada a situação em que se apresentava a condenação pura e simples de uma adúltera, sendo que seus algozes cometiam adultério e coisas até piores aos olhos de Deus às escondidas. O sentido do ensino de Jesus era demonstrar a força do perdão divino a quem cometeu uma série de pecados, não de produzir apenas um julgamento e execução de sentença conforme a Lei de Moisés. Caso ele apenas condenasse a adúltera, demonstrando somente a necessidade da aplicação da lei, que estaria fazendo, senão uma repetição de atos de pecadores, embora ele mesmo não tivesse pecado? Seu ensinamento estaria em franca contradição, ainda mais sendo Jesus conhecedor dos corações de cada um da multidão que se preparava para lapidar a mulher pega em adultério.
Com isso, havemos de discernir sobre o julgamento justo. Deus tem sua medida de justiça, e com ela exorta os homens: Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, pondes para julgá-los os que são de menos estima na igreja?" (1 Coríntios 6: 2-4).
Em todos os períodos há a certeza de que os santos haverão de julgar, seja o mundo, os anjos, ou até mesmo as coisas pertencentes a esta vida. O dever de um santo é julgar. Santo é aquele separado por Deus para constituir um povo eleito e para exercer, perante todos, as ordens de seu Pai celeste no que este comandar. Se isso deve ser feito até entre irmãos - versículo 5: "Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?" - quanto mais no que diz respeito a outros assuntos, conforme a necessidade?
A restrição bíblica que se faz a esse respeito está exatamente no termo "justo". Julgamento sem justiça produz injustiça. Se Deus investe os seus santos crentes com a capacidade de a tudo julgarem, Ele o faz requerendo justiça; caso contrário, não é julgamento que proceda do Deus cujo nome é Justiça.
Deus requer que o homem faça justiça: "Assim diz o SENHOR: Guardai o juízo, e fazei justiça, porque a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça, para se manifestar" (Isaías 56:1). Repare o leitor acerca da importância de se praticar a justiça, a fim de que a própria justiça divina se manifeste. Não fosse assim, por que Deus incluiria na lei mosaica o mandamento de não se fazer injustiça no juízo (Levítico 19:15)?
O justo age exatamente como o salmista: "Fiz juízo e justiça; não me entregues aos meus opressores." (Salmos 119:121). Deus ama a justiça e o juízo (Salmos 33:5); naturalmente, seus filhos amados haverão de observá-la e exercê-la e, ao agirem assim, nada mais farão do que a vontade do Pai.
Sendo assim, fazer julgamentos e exercer a justiça é próprio de quem caminha com Deus, conquanto o faça com a mesma motivação justa de seu Pai celeste.
Se, porventura, o crente distorce a justiça, e passa a julgar por seu próprio entendimento, sem que haja fundamento baseado na verdade da Palavra de Deus, ele proferirá um julgamento injusto. Ele se tornará um hipócrita, que não enxerga as próprias falhas e vê as menores praticadas por seu irmão, assim como Jesus diz no texto de Mateus 7. Ele se tornará inimigo da verdade e condenado a suportar o mesmo fardo de justiça que tentou impor a quem não tinha culpa.
Nisso estão as opiniões puramente pessoais, baseadas por vezes em suposições preconceituosas e relegadas a costumes, sem qualquer embasamento bíblico; isso também esconde um comportamento legalista ou ascético, que impõe a dureza da letra da lei para que o incauto, debaixo de uma força normativa, venha a se calar e a acatar os mandamentos como lhe são apresentados, sem ponderar.
O mesmo comportamento legalista é aquele que provoca a simples conclusão de que "o crente não deve julgar", contrariando João 7:24: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça".
Outro texto usado pelos defensores do "não julgar" encontra-se em Romanos 14:10: "Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo". A solução para esse aparente problema encontra-se justamente na segunda questão: "por que desprezas teu irmão?" Ora, se há desprezo por parte de quem julga, então o julgamento é parcial, interesseiro. Logo, não é justo, e não deve ser feito. O julgamento com justiça persiste, portanto.
3. O comodismo e os perigos da tolerância
O comportamento legalista de comandar um "não julgamento" encerra dois perigos: o de produzir comodismo e o de tolerar o pecado.
A postura cômoda de não enfrentar uma ideia antagônica torna-se perigosa por produzir indiferença quanto à verdade. Exalta-se a ignorância, com o pretenso argumento de que "no dia do Juízo Deus trará a lume todas as coisas, e que para isso não estamos preparados". Ora, Deus nos deu discernimento para usá-lo; se não o fazemos, cometemos pecado. O fato, ademais, de não termos como vislumbrar um julgamento futuro de todas as coisas não nos dá o direito de ignorarmos o ensino do exercício do juízo, inclusive para assuntos relacionados à nossa jornada nesta terra.
E ainda: exercemos nesta vida propósitos e promessas que nos são dadas por Deus, e para tanto ele dá pessoas como juízes, inclusive para executar juízos em seu Nome. Relegar ao "etéreo" é uma forma de escapar da realidade, um recurso ridículo diante da seriedade com que a justiça divina deva ser levada. Por pura negligência, causada pelo comodismo, ações não são corrigidas hoje, e com isso mais vítimas são feitas pelas obras da injustiça.
Além disso, busca-se evitar o conflito pela pretensa tolerância. Comportamentos, organizações e fatos têm clara omissão em nome de uma cordialidade que não deveria existir.
Deus chama os pecados pelo nome, e assim deve ser para conosco. Não se defende a "falta de educação", tampouco a falta de compromisso trazida pela tolerância exacerbada. Esse comportamento esconde medo do confronto, de uma indesejável exposição, afora outras consequências advindas de um comportamento mais ousado, desde que esteja seguramente pautado pela Palavra de Deus.
O crente deve repudiar a hiper-tolerância a qualquer custo: por conta de não agir dessa maneira, toleram-se comportamentos mundanos no seio da igreja, a penetração de doutrinas estranhas que dividem o povo, a semelhança cada vez maior de cultos com shows e espetáculos produzidos por ímpios, dentre outras características que trazem repulsa ao Senhor e serão objeto de julgamento naquele Dia.
E se somos do Senhor, devemos repudiar exatamente as mesmas obras, sob pena de sermos julgados pecadores por conivência ao aceitarmos conscientemente algo que Deus condena. O limite da tolerância está naquilo que contrarie, ainda que sutilmente, os ensinamentos das Escrituras.
O pecado deve ser tratado como pecado, não como um "sentimento negativo" ou uma "energia do mal".
Erros doutrinários devem ser tratados como problemas passíveis de eliminação da seara do Senhor. Tais ideias podem soar como "radicais", mas o ensino de Cristo é radical! Se não fosse assim, por que a Palavra foi comparada como espada? Jesus trouxe a espada, não a paz da falsa tolerância!
Não se pode tolerar o pecado: caso tivessem sido tolerantes, Ló e sua família jamais teriam escapado de Sodoma.
Conclusões
Dessa maneira, podemos concluir que:
Julgar não é um mau em si mesmo, pois a tudo devemos examinar e reter o que é bom.
Julgar é necessário, pois é coerente com o discernimento que possuímos da parte de Deus.
Julgar não é tarefa exclusiva de Deus, pois se O imitamos, temos dele a propriedade para exercer juízo sobre todas as coisas.
Julgar, porém, deve ser feito sob o exercício da justiça, para não produzir o efeito contrário.
Julgar, ainda que contrarie o argumento da pretensa tolerância, deve ser efetivado, pois o crente verdadeiro não concorda com aquilo que a Bíblia chama de pecado, tampouco vem a exercer, em sua vida particular, comportamentos que o levem a ser incluído entre os mentirosos e os hipócritas.
Julgar é um ato de obediência à verdade e de amor a Deus, pois Ele é justo e ama a justiça.
Dessa maneira, que ninguém venha a condenar o leitor na sua nobre e necessária atividade de julgar. Que isso seja feito em plenitude, de modo justo e imparcial. Quem é de Deus não se dobrará à chantagem de um argumento que, baseado na mentira, no egoísmo, na falsidade e na corrupção, tenta promover exatamente o contrário da justiça: a tolerância com o erro.
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postado originalmente em http://bereianos.blogspot.com/2010/10/o-problema-do-julgar-ate-onde-ir-com.html
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