Críticas de um Apologista
Primeira temporada - O que se passa na cabeça de quem defende a fé cristã?
Terceiro episódio - Teologia do Sofrimento?
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sexta-feira, 9 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Ovelhas-Marionetes
VEJO MULTIDÕES COMO OVELHAS-MARIONETES NAS MÃOS DE OBREIROS FRAUDULENTOS E MANIPULADORES DE MULTIDÕES
por Pr. Aécio Felismino da Silva
por Pr. Aécio Felismino da Silva
Quando olho para as multidões que invadem os templos das igrejas dos movimentos evangélicos que mais crescem no Brasil, vejo cada uma daquelas pessoas como ovelhas-marionetes. Pessoas que estão ligadas às linhas invisíveis das maquinações de homens e mulheres que parecem tentar transformar a Igreja em um grande palco para suas bem sucedidas “emprejas”.
Creio em milagres, em manifestações sobrenaturais, em libertação e todas as outras evidências do poder de Deus. Não tenho problema nenhum com nada disto. Minha indignação é contra aqueles que usam e abusam destes temas para atrair os incautos, como se só em suas igrejas ou em suas concentrações, e sob seus comandos estas coisas acontecessem! “A mão de Deus está aqui!”, reza o jargão de um homem que está fazendo o maior sucesso entre os moribundos, desesperados ou simplesmente entre curiosos e caçadores de bençãos. Mas, a mão de Deus está em todo lugar onde invocarmos Seu nome – não necessariamente dentro de um templo, igreja ou numa multidão! Onde há fé a mão de Deus está ali!
Confesso que as maneiras como as pessoas são manipuladas chegam a me assustar e causar certa revolta. Há poucos dias, por exemplo, passei em frente a um salão onde funciona uma igreja e vi a imagem de um enorme pássaro com as asas abertas e disse ironicamente para minha esposa: “Olha um urubú em cima do púlpito!”. Ela me repreendeu dizendo: “Pára! É uma águia!”... Mas para mim, tanto faz urubú como águia, em cima de púlpito nenhum bicho diz nada com coisa nenhuma!
Nem a Bíblia mais escapa! Vender Bíblia com a promessa de vitória financeira é o fim da picada! Só falta o apresentador dizer no bom carioquês: “Aquele irmão que não adquirir esta Bíblia tá ralado!”.
Falar das promoções de livros (muitos deles de teologia dúbia) dizendo que a única intenção é “abençoar os irmãos” é estelionato, é 171! A gente sabe que no fundo tudo é muito lucrativo!
Outra coisa que vejo, e que acho uma grande covardia, é o prazer masoquista que certos fazedores de milagres têm de colocar velhinhos caquéticos para desfilarem bambeando perante seus públicos! Isto sim é cruel... E depois? E depois... Aqueles velhinhos possivelmente voltarão para suas casas de muletas, ou em cadeiras de rodas! Mas, o que vale mesmo é a autopromoção, não importa se os velhinhos foram curados ou usados como gancho para o IBOPE...
Vejo também com muita preocupação a concorrência mórbida na disputa do tipo “quem cura mais”. Penso que se vangloriar com resultados de exames médicos nas mãos e tripudiar sobre as igrejas concorrentes é mais que tosco: é obsceno!
Aborreço-me só de ouvir aquelas vozes macilentas, cheias de engano que os televangelistas manipuladores fazem-nos ouvir em seus ridículos e insuportáveis programas supostamente interessados em “pregar o Evangelho” – diga-se de passagem, quase todos os referidos programas a meu ver até contém alguma coisa do Evangelho, mas são altamente poluídos pelas induções humanas, pelas falácias das doutrinas carregadas de heresias; pelas indulgências em forma de rosa, sal e óleos; além dos indecentes carnêzinhos supostamente milagrosos e das malditas campanhas e correntes, que nos dão a nítida impressão de que o interesse é a fidelização da clientela ávida por curas, prosperidade, soluções relacionais e outras “bênçãos” – as aspas aparecem aqui por que o que muita gente pensa que é benção pode ser maldição, conforme Malaquias 2.1 e 2:
“Agora, ó sacerdotes, este mandamento é para vós. Se não ouvirdes e se não propuserdes, no vosso coração, dar honra ao meu nome, diz o SENHOR dos Exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bênçãos; e também já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o coração.”
Por outro lado, me aborreço também em ver naqueles programas e conhecer pessoas que dão sinais de que gostam mesmo de ser manipuladas e enganadas, pois algumas práticas são tão medonhas que até o mais cego dos cegos pode perceber, usando apenas a inteligência e o raciocínio que algumas coisas não têm nada a ver com a mensagem de Cristo ou dos Apóstolos.
Como pode uma pessoa acreditar que é necessário tomar um copo com água supostamente abençoado por alguém que está apenas seguindo um roteiro de um programa muito bem projetado, seguindo apenas uma fórmula que “deu certo”? Aliás, aquilo é tão mecânico e tão estupidamente frio, que a gente percebe que os indivíduos já nem disfarçam mais a falsa comoção com a qual fazem o que vou chamar de “chantagem espiritual” – eles chamam de prece ou oração.
Enfim, vejo também que as pessoas não se esforçam para buscar conhecimento nas Escrituras. Aí sim, elas entenderiam que sal grosso é muito útil em um bom churrasco, mas é totalmente inútil para possibilitar a benção de Deus?
Por enquanto, vou continuar com meu inconformismo e indignação, vendo multidões de pessoas como marionetes, brinquedos fáceis de manejar sob as hábeis mãos dos empresários e marqueteiros da fé, os quais se multiplicam como uma praga em nossos dias!
Aécio Felismino da Silva é Pastor titular da Igreja Cristã Ibero-Americana
Originalmente postado em: http://www.cacp.org.br/
quarta-feira, 7 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
Fábrica de Loucos!

Por Pr. Weber
Esta semana tomei conhecimento de um dado estatístico assustador: 70% dos pacientes internados em manicômios do Brasil são de origem evangélica. Sinceramente, perdi o chão. Que a religião pode ser um fator que contribui para o desequilíbrio psíquico, ao mesmo tempo que pode constituir um espaço confortável para desequilibrados mentais, eu já sabia, o que não sabia era que a contribuição evangélica para este desastre fosse tão acentuada.
A razão para esse trágico dado passa pela teologia, pela liturgia, e principalmente pelo compromisso do resgate de um Cristianismo mais bíblico, emoldurado pela Verdade escrita e não pela “verdade” sensitiva. Já não é de agora que denominações inteiras cultivam e estimulam um emocionalismo barato, sem o menor temor de rotular suas práticas ao “mover do Espírito Santo”. Com isso, transformam suas reuniões e grandes encontros num autêntico espetáculo do circo dos horrores, com gente caindo pra todo lado, tremendo, correndo, saltando e expressando sua insanidade em gargalhadas descontroladas, tudo isso sob a bandeira de um suposto “avivamento espiritual”. O mais preocupante em todo esse processo é a falta de alguém lúcido e psicologicamente são, que seja capaz de sugerir um exame criterioso das Escrituras.
A espiritualidade cristã jamais será moldada por qualquer geração doente. A chancela do que é saudável e do que é doentio é dada pelo próprio Cristo, por Seu ensino e exemplo. A tentativa de desenvolver uma espiritualidade vinculada à cultura ou às tendência de qualquer desequilibrado que aparece, contando uma visão ou uma revelação, só contribui para aumentar o número dos que dão entrada em clínicas psiquiátricas em meio a verdadeiros surtos psicóticos. O pior de tudo isto é que ninguém fala absolutamente nada.
É bem provável que a causa deste silêncio seja o despreparo teológico da maioria e a construção de certos paradigmas podres. Um deles é relacionar o estudo teológico à falta de unção. Com todo respeito, não há estupidez maior do que esta. Na verdade, é a resistência ao texto que colocou o movimento evangélico no Brasil e no mundo sob suspeita.
Uma rápida leitura dos Evangelhos, deixará em qualquer leitor minimamente atento, a real impressão de que o ministério de Jesus foi reflexivo. Ele nunca tencionou provocar transes e catarses. Suas mensagens e ensinamentos tinham o objetivo de fazer sua audiência pensar. Logo, embarcando na boléia de Jesus, Sua espiritualidade tinha um caráter mais cognitivo do que sensitivo, por isso Ele foi chamado de Mestre.
Já estou antevendo os comentários que chegarão: “O intelectualismo é morte”; “a letra mata”; “a teologia não presta pra nada”… Mas, vou correr o risco e fazer uma colocação final.
Todo cristão precisa estar comprometido com Cristo e o seu ensino. Nenhuma manifestação que escape ao escrutínio bíblico e não faça parte das práticas pessoais de Cristo e dos apóstolos, merece ser considerada, sequer analisada como possivelmente legítima, sob o risco de se abraçar a loucura ao invés da fé. Pense nisto!
Sola Escriptura!
Lembrando que o mesmo percentual de filhos de evangélicos foi encontrado na Fundação Casa (ex- Febem) e no extinto presídio do Carandirú em São Paulo.
fonte: www.genizahvirtual.com
domingo, 4 de abril de 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
Póde um cristão fazer tatuagem?
Uma pergunta que sempre fazem a mim é a seguinte: “pastô, pó fazê tatuági?” Tem horas que dá vontade de responder: “não dá, não sou tatuador, não tenho a maquininha, e nem sei desenhar a Hello Kitty!”
Brincadeiras à parte, muitos crentes ficam se perguntando se é plausível um cristão usar tatuagem. Usam alguns versículos para embasar sua argumentação. Basicamente dois:
Lv 19:28: Não fareis lacerações na vossa carne pelos mortos; nem no vosso corpo imprimireis qualquer marca. Eu sou o Senhor.
1Co 6:19: Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?
Infelizmente temos o péssimo hábito de ler textos bíblicos de maneira isolada, sem conhecer o devido contexto. Não há nada nesses textos acima que indiquem uma proibição explícita a tatuagens.
Quando Moisés estava escrevendo Levítico, lembrou-se que, no meio dos povos pagãos em redor de Israel, era costume fazer marcações nos corpos em honra a seus mortos. O texto de Lv 19 deve ser lido em todo o conjunto, pois indica uma série de atitudes culturais próprias do paganismo, e não uma proibição da tatuagem por si só. Não é engraçado que ninguém ainda tenha se levantado para dizer que também é pecado os homens barbados apararem a barba, baseados em Lv 19.27, um versículo imediatamente anterior? Essa seletividade de pecados é tããão engraçada...
Já o texto de 1Co 6 não faz alusão a pretensas tatuagens, mas sim à prostituição. No contexto, entendemos que a cidade de Corinto era muito licenciosa. Era uma cidade portuária, com grande movimentação de estrangeiros, que buscavam “diversão adulta” nas horas vagas. Era também uma cidade conhecida por seu templo a Afrodite, com sua prostituição cultual. A coisa era tão braba que algumas prostitutas cultuais se convertiam, mas continuavam com sua aparência “profissional” anterior, ou seja, com a cabeça raspada, símbolo de dedicação a Afrodite. É por isso que, no cap. 11, Paulo fala sobre o véu e a confusão que se formava na igreja. Mas isso é outra conversa. O que interessa aqui, no cap. 6, é que Paulo não falava de um ato estético em si, mas sim atacava o comportamento pecaminoso expresso na prostituição de alguns crentes de Corinto. Paulo é ainda mais explícito no v. 15: Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz? De modo nenhum!
Portanto, o que Paulo e Moisés combatiam não era uma mera questão estética, e sim uma questão espiritual: nosso compromisso com Deus. Ambos os textos atacam, à sua maneira, nosso grau de comprometimento com Deus. Seja praticando coisas próprias dos pagãos (quem se lembra de rosas ungidas ou vales do sal?), seja na licenciosidade moral (onde “irmãs” sonham em ser capa da Playboy), o terrível problema a ser combatido não é um bocado de tinta injetado debaixo da pele. Combater tatuagem é, no meu entender, apenas uma cortina de fumaça. O que deve ser combatido, com todas as forças, é a superficialidade de nossa relação com Deus, que tanto envergonha o nome do Evangelho. Para isso, somente com a “tatuagem” do caráter de Cristo em nossos corações, somente com o lavar regenerador do Espírito (Tt 3.5). Em suma, não se preocupe com tatuagem, brincos, piercings ou coisas passageiras. Focalize sua energia, isso sim, em ser sal da terra, luz do mundo e testemunha viva do Rei vivo. Com ou sem tatoo.
Rev. Digão é pastor prebiteriano
fonte: http://www.genizah.com.br/
Brincadeiras à parte, muitos crentes ficam se perguntando se é plausível um cristão usar tatuagem. Usam alguns versículos para embasar sua argumentação. Basicamente dois:
Lv 19:28: Não fareis lacerações na vossa carne pelos mortos; nem no vosso corpo imprimireis qualquer marca. Eu sou o Senhor.
1Co 6:19: Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?
Infelizmente temos o péssimo hábito de ler textos bíblicos de maneira isolada, sem conhecer o devido contexto. Não há nada nesses textos acima que indiquem uma proibição explícita a tatuagens.
Quando Moisés estava escrevendo Levítico, lembrou-se que, no meio dos povos pagãos em redor de Israel, era costume fazer marcações nos corpos em honra a seus mortos. O texto de Lv 19 deve ser lido em todo o conjunto, pois indica uma série de atitudes culturais próprias do paganismo, e não uma proibição da tatuagem por si só. Não é engraçado que ninguém ainda tenha se levantado para dizer que também é pecado os homens barbados apararem a barba, baseados em Lv 19.27, um versículo imediatamente anterior? Essa seletividade de pecados é tããão engraçada...
Já o texto de 1Co 6 não faz alusão a pretensas tatuagens, mas sim à prostituição. No contexto, entendemos que a cidade de Corinto era muito licenciosa. Era uma cidade portuária, com grande movimentação de estrangeiros, que buscavam “diversão adulta” nas horas vagas. Era também uma cidade conhecida por seu templo a Afrodite, com sua prostituição cultual. A coisa era tão braba que algumas prostitutas cultuais se convertiam, mas continuavam com sua aparência “profissional” anterior, ou seja, com a cabeça raspada, símbolo de dedicação a Afrodite. É por isso que, no cap. 11, Paulo fala sobre o véu e a confusão que se formava na igreja. Mas isso é outra conversa. O que interessa aqui, no cap. 6, é que Paulo não falava de um ato estético em si, mas sim atacava o comportamento pecaminoso expresso na prostituição de alguns crentes de Corinto. Paulo é ainda mais explícito no v. 15: Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz? De modo nenhum!
Portanto, o que Paulo e Moisés combatiam não era uma mera questão estética, e sim uma questão espiritual: nosso compromisso com Deus. Ambos os textos atacam, à sua maneira, nosso grau de comprometimento com Deus. Seja praticando coisas próprias dos pagãos (quem se lembra de rosas ungidas ou vales do sal?), seja na licenciosidade moral (onde “irmãs” sonham em ser capa da Playboy), o terrível problema a ser combatido não é um bocado de tinta injetado debaixo da pele. Combater tatuagem é, no meu entender, apenas uma cortina de fumaça. O que deve ser combatido, com todas as forças, é a superficialidade de nossa relação com Deus, que tanto envergonha o nome do Evangelho. Para isso, somente com a “tatuagem” do caráter de Cristo em nossos corações, somente com o lavar regenerador do Espírito (Tt 3.5). Em suma, não se preocupe com tatuagem, brincos, piercings ou coisas passageiras. Focalize sua energia, isso sim, em ser sal da terra, luz do mundo e testemunha viva do Rei vivo. Com ou sem tatoo.
Rev. Digão é pastor prebiteriano
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Críticas de um Apologista - episódio 2
"Amo muito tudo isso!"
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boa leitura.
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boa leitura.
terça-feira, 23 de março de 2010
Críticas de um Apologista - episódio 1 - Infalibilidade Pastoral
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
O EVANGELHO DA ESPECULAÇÃO
Por Elvis Brassaroto Aleixo
A) — Você sabe qual é o sexo dos anjos?
B) — Depende.
A) — Como assim? Depende de quê? Do anjo?
B) — Bem... depende de algumas coisas. Esta é uma, entre outras, mas, para responder melhor a sua pergunta, precisamos primeiro considerar...
Que os leitores nos perdoem por interromper, subitamente, o diálogo. Não dá para supor que, em um curto artigo como este, tivéssemos a pretensão de “desvendar” o sexo dos anjos. Se o leitor não sabe, continuará sem saber. Todavia, gostaríamos de consolá-lo da seguinte forma: esse conhecimento não é realmente significativo. Não fará crescer um par de asas em suas costas. Não aumentará sua espiritualidade. Enfim, não o aproximará mais de Deus.
O fato é que, desde os concílios medievais, ou até antes, já se discutia o assunto com entusiasmo, mas o consenso nunca foi a conclusão dos debates. A discussão acerca da sexualidade angelical está sendo tomada aqui para aludir à banalização da teologia vulgar que tem sido cultivada pela mídia evangélica brasileira.
Certamente, seria tão imaturo quanto injusto generalizá-la, assim como seria impróprio alistar aquelas que julgamos aprovadas neste crivo. Sinceramente, a despeito da ousadia de abordar o assunto, não nos posicionamos como juízes absolutos da causa, pois estamos inseridos no mesmo contexto. Entretanto, sempre há ressalvas que não podem, jamais, ser esquecidas e rendemos graças a Deus por isso, ainda que sejam somente mencionadas brevemente.
Examinando os diversos veículos da mídia que os evangélicos têm empregado para compartilhar sua fé, percebemos o quanto temos sido abençoados e como a Igreja está engajada em sua missão (Mc 16.15). Todavia, o bom emprego dessas oportunidades está condicionado a um elemento não muito refletido em alguns casos: a responsabilidade. Televisão, rádio, jornais, revistas e sites — todos são instrumentos formadores de opinião, embora seus administradores nem sempre estejam plenamente conscientes disso. São mídias que influenciam na construção da “intelectualidade espiritual” dos fiéis. Funcionam como grandes púlpitos ao ar-livre, cujos pregadores podem fazer ressoar suas vozes em muitas e distantes direções.
Ora, onde há mídia quase sempre há ibope, daí o nosso compromisso com aqueles que se alimentam com o que o Senhor tem-nos concedido. E, como servos responsáveis, precisamos, constantemente, questionar e avaliar o grau nutricional da comida que oferecemos, pois, de outra forma, incorreremos no grave risco de reunirmos ao nosso redor crentes anêmicos.
Sabemos que o que dá ibope nem sempre é bom e edificante (1Co 6.12), e essa é a imensa passarela em que desfila a especulação fútil, que geralmente é aplaudida pela polêmica. E as duas, especulação e polêmica, quando unidas, tornam-se imbatíveis na sustentação da “audiência”.
Veja o leitor que não censuramos qualquer tipo de especulação. Falamos daquela que qualificamos “fútil”. Há assuntos e circunstâncias a serem considerados. Especular nada mais é do que averiguar minuciosamente e não negamos que a Bíblia seja digna de tamanha e zelosa atenção. Contudo, inquieta-nos quando essa especulação se atém somente, ou primeiramente, em detalhes que não conduzem os fiéis a lugares sólidos (Mt 7.24-27). A circunstância é pior quando isso se dá de forma desvelada, pública e irresponsável, sem ajuizar os diversos graus de espiritualidade e conhecimento das pessoas que, descuidadamente, acompanham essas mídias. Ficamos pensando o que se passa na cabeça de um novo convertido que se insere nesse mundo de especulações, polêmicas e confusões.
Atualmente, séculos depois dos concílios medievais, o sexo dos anjos está ultrapassado. Hoje há crentes ocupados em descobrir se as sandálias que o anjo Gabriel usou em suas aparições estavam em harmonia com a moda do costume judaico vigente. Francamente, parece piada, mas uma pesquisa superficial em alguns sites evangélicos confirma tudo isso. Chega a ser hilário o que se discute nestes fóruns e chats. Como os atenienses, são pessoas que não fazem outra coisa senão ouvir e dizer novidades. É o afamado “disse-que-disse gospel” (At 17.21).
È bastante estranho que um crente se preocupe tanto com estas coisas e mal consiga gaguejar quando alguém lhe pede explicações sobre pilares doutrinários de sua fé. Há, nisso tudo, uma escancarada inversão de valores.
É nesse âmbito que surgem os celeiros mais produtivos no desenvolvimento de idéias e conceitos extrabíblicos que chegam, por vezes, a ocultar aquilo que realmente é bíblico e está para sempre registrado (Mt 24.35). Isso sem falar que, quando o extrabíblico é alimentado, usurpa a posição de “doutrina declarada”, evolui e transforma-se em blasfematória heresia.
Portanto, é fundamental a orientação pastoral. Este é o nosso apelo: que os pastores orientem suas ovelhas diante dessa mesa tão farta, mas que já começa a oferecer alimentos com prazos de validade vencidos.
De nossa parte, suplicamos ao Senhor para que não nos deixe simpatizar com esse tipo de garçom e que não nos prive de sua graça. Somente assim compartilharemos aquilo que de fato edifica e nunca perece!
Fonte: ICP - Instituto Cristão de Pesquisas
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